O mundo vive, há muitos anos, uma pandemia de AIDS (sigla em inglês para síndrome da imunodeficiência adquirida). Primeiramente, devemos entender que ela é uma doença crônica, ou seja, tem progressão longa e lenta, geralmente durando uma vida inteira, e pode ser potencialmente fatal.

Dizer que a AIDS é uma pandemia (estágio em que uma doença atinge nível global) não é exagero, já que a Organização Mundial da Saúde estima que aproximadamente 35 milhões de pessoas já morreram por causa da doença. Apenas em 2017, foram 1 milhão de óbitos. E mais: estima-se que, nesse momento, são 37 milhões de pessoas infectadas por ela.

Causas
O HIV, vírus responsável pela síndrome, ataca diretamente o sistema imunológico, impedindo que o corpo produza anticorpos e se torne fraco no combate a invasores que causam essa e de outras doenças. A AIDS pode ser contraída das seguintes formas:
  • Relações sexuais sem proteção;
  • Compartilhamento de agulhas e seringas;
  • Reutilização de materiais de manicure e pedicuro sem esterilização;
  • Transfusão ou contato com sangue contaminado;
  • Amamentação quando a mãe é portadora do vírus.
Sintomas
Primeiro, é importante frisar: nem todo portador do HIV desenvolve a AIDS. Apesar dos dois estarem conectados, não é uma regra. Essa particularidade ocorre porque o HIV não age da mesma forma em todos os organismos. Algumas vezes, ele permanece latente, isto é, fica dormente no organismo da pessoa durante muito tempo, anos até. Assim, a pessoa acaba não desenvolvendo a AIDS, porém, pode transmitir o vírus, que, por sua vez, pode agir de forma diferente no novo organismo.

Quando o HIV permite o desenvolvimento da doença, deve-se prestar atenção aos sintomas. Na fase inicial, os principais são:

  • Candidíase oral;
  • Cansaço constante;
  • Surgimento de gânglios (nódulos) nas axilas, virilha e pescoço;
  • Diarreia;
  • Febre;
  • Transpirações noturnas e calafrios;
  • Perda de 10% do peso, para mais.
Na fase aguda da AIDS, os sintomas são mais graves:
  • Febre alta, acima dos 38 graus durante muitas semanas;
  • Inchaço dos gânglios;
  • Faringite, causando dificuldade de engolir;
  • Dores musculares e nas articulações;
  • Ínguas e manchas pela pele, que desaparecem após alguns dias;
  • Feridas na área da boca, esôfago e área genital;
  • Perda do apetite;
  • Fraqueza;
  • Dores de cabeça crônicas;
  • Sensibilidade à luz;
  • Perda de peso;
  • Náuseas e vômitos.
No surgimento de alguns desses sintomas, um clínico geral ou um infectologista deve ser consultado o mais rápido possível. Também é importante que sejam feitos constantes exames de sangue para detecção do vírus, principalmente após relação sexual sem proteção ou contato com materiais sem esterilização ou sangue contaminado. Como o vírus HIV não age imediatamente no corpo, o exame de sangue deve ser feito após, pelo menos, 60 dias. Quanto mais cedo descobrir a doença, melhor será seu controle.
Mitos
A AIDS começou a se expandir na década de 1980. Por ser uma doença nova, a falta de informação ajudou a alimentar mitos e informações erradas quanto à contaminação e vivência com o HIV e a doença em si. A ciência ajudou a derrubar muitos desses mitos, porém alguns ainda perpetuam e alimentam preconceitos e desinformação:

  • O HIV é transmissível ao mínimo contato: esse é um dos mitos mais tristes, pois alimenta o preconceito contra pessoas soropositivas. O HIV não é transmissível através da pele, do ar, de lágrimas, saliva, urina, através de utensílios domésticos ou uso de materiais em comum.
  • Medicina alternativa cura a AIDS: não, não e não! Infelizmente, existem muitas lendas dizendo que ervas, terapias alternativas ou rituais são eficazes contra a doença ou o vírus, o que é uma perigosíssima bobagem. A AIDS ainda não tem uma cura efetiva, porém existem tratamentos que ajudam a controlar a doença.
  • Mosquitos espalham o HIV: mosquitos são famosos por transmitir febre amarela, dengue, zika e outras doenças, porém eles não transmitem HIV. Apesar de ser transmitida pelo sangue, não se pode contraí-lo pelos insetos porque o vírus vive pouco dentro deles e, mesmo assim, os mosquitos não injetam sangue naqueles que picam.
  • O HIV não é transmitido pelo sexo oral: as chances são poucas, é verdade (são 4 em cada 10 mil), porém o sexo oral pode transmitir o vírus de uma pessoa a outra, através dos fluidos. Então, o melhor é sempre usar preservativo.
  • Apenas camisinha impede contágio: apesar de ser muito efetiva, a camisinha não é 100% eficaz. Quando uma camisinha está vencida, rasga ou vaza durante a relação pode, sim, transmitir o vírus. Mas isso não é razão para deixar de usá-la, claro. Quando bem manuseado, o preservativo é uma excelente arma. O ideal também é fazer exames regulares.
  • Mulheres com HIV sempre terão filhos infectados: não necessariamente. Apesar do vírus ser transmitido através da amamentação ou do parto, uma mulher soropositiva, com acompanhamento médico adequado, pode ter um bebê sem risco de infectá-lo.
  • AIDS não atinge idosos: outra mentira perigosa. Aliás, o Ministério da Saúde sinaliza que, nos últimos dez anos, o índice de HIV entre idosos cresceu assustadores 103% só no Brasil. Uma das causas é justamente esse mito. Idosos, que já estão suscetíveis a algumas doenças, devem ter atenção redobrada. O dado global assusta ainda mais: até 2030, a OMS alerta que 70% dos idosos terão o HIV se nada for feito.

É possível viver com a AIDS? Sim, é possível. Acabou-se também o mito de que quem está infectado pela doença já pode desistir de viver. Besteira! Obviamente, por ser uma doença que ataca o sistema imunológico, a AIDS requer cuidados especiais para quem já convive com ela: alimentar-se de frutas e verduras, evitar carnes malpassadas ou frutos do mar crus, tomar vacinas e coquetéis regulamente, cuidado redobrado com animais de estimação (higiene, principalmente), evitar cigarros, praticar exercícios, entre outros.

Se é possível viver com a doença, evitá-la é muito melhor. Por mais que sejamos repetitivos, é melhor sempre alertar: use preservativo, faça exames, evite o HIV. Alguns momentos de prazer não podem valer mais do que uma vida inteira. Discuta com familiares e amigos sobre os riscos e prevenção à AIDS. Ela é uma doença séria, e não pode mais ser vista como um tabu, como algo que não deve ser falado.

Av. Paulista, 2028 • Conjunto 111 • São Paulo • 01310-927 © 2006 Copyright • Todos os direitos reservados